A Influência que Você não Percebe

A palavra “influência” foi sequestrada. Hoje, ao ouvi-la, o cérebro quase automaticamente projeta a imagem de um celular na nossa frente, números de curtidas e pessoas vendendo estilos de vida plastificados para uma multidão de desconhecidos. O termo ficou irremediavelmente associado ao marketing, à exposição e a uma superficialidade que, para muitos de nós, beira o constrangimento. Criou-se a ilusão de que influenciar é um privilégio, ou um fardo, reservado apenas a quem está debaixo dos holofotes.

Mas essa definição não é apenas pobre, ela é uma armadilha.

Enquanto olhamos para a influência como algo que acontece "lá fora", nas grandes audiências de milhões de seguidores, deixamos de perceber a força que de fato molda o mundo: a influência constante, silenciosa e inevitável que exercemos no metro quadrado onde pisamos.

Você já influencia pessoas todos os dias, queira ou não. Não é uma escolha, é uma consequência de estar vivo e presente.

Tremendas Trivialidades

Edição #173#

A verdadeira influência não depende de plateia, mas de proximidade. Ela se manifesta na forma como você olha para seu filho quando ele interrompe o seu trabalho de forma inoportuna, no tom de voz que você escolhe para falar com sua esposa após um dia exaustivo, ou no modo como você sustenta a palavra em um momento de tensão no escritório. São marcas persistentes que, acumuladas ao longo de anos, constroem a imagem que ficará gravada na memória de quem convive com você.

O problema é que, por não ser mensurável por algoritmos, essa influência cotidiana costuma ser negligenciada. Falamos com menos cuidado do que deveríamos, ignoramos pequenos gestos de atenção e tratamos como irrelevantes situações que, para o outro, podem definir o clima de um dia inteiro. Esquecemos que somos o centro de gravidade de muitas das pessoas com quem convivemos.

John Quincy Adams escreveu que “a influência de cada ser humano sobre os outros nesta vida é uma espécie de imortalidade”. É uma frase muito mais abrangente do que a influência singela e cotidiana que estamos abordando, eu sei, mas ela se confirma nos detalhes mais ínfimos: no padrão de comportamento que seus filhos vão repetir daqui a vinte anos ou na segurança que sua presença transmite sem que você precise dizer uma única palavra.

Pare de pensar na influência como algo distante e comece a tratá-la como uma responsabilidade concreta. Nós não escolhemos se vamos influenciar os outros, nós apenas definimos, através de cada gesto ordinário, que tipo de imortalidade estamos deixando para trás.

💭 EXAMINE A SI MESMO

Se hoje a sua vida fosse contada apenas através das impressões que você deixou nas três pessoas que mais convivem com você, que tipo de homem elas descreveriam? Você tem sido uma fonte de ordem e segurança ou apenas mais um ruído de pressa e distração no dia delas?
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